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Eleição 2026: quatro pesquisas confirmam a faixa de 51 a 53
A terça trouxe duas pesquisas novas, da Nexus e da PoderData, e consolidou outras duas, da Atlas e da Ipespe, que tinham saído entre sexta e sábado. As quatro põem o senador Flávio Bolsonaro entre 51 e 53 dos votos válidos, a faixa que a série projetou na segunda depois da urna. A única com duas medições depois do primeiro turno, a PoderData, caiu de 53 para 51. A Quaest de quarta e o Datafolha de quinta seguem como os testes principais.
Leituras
- Quatro institutos com métodos diferentes, telefone, painel digital e questionário online, puseram o senador entre 51 e 53 dos votos válidos: a projeção feita pela série na segunda depois da urna segue de pé.
- A PoderData é a única com duas medições feitas depois da urna e caiu de 53 para 51: é cedo para falar em tendência, mas o piso da faixa virou o número a vigiar.
- Um banco e uma agência financeira de notícias pagaram duas das quatro pesquisas: quem tem ativo compra a informação antes do voto, e o preço já embute uma vitória que as urnas não deram.
Este é o texto da série Eleição 2026, que lê as movimentações da disputa, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de ontem apontava a semana para dois dados, a Quaest de quarta e o Datafolha de quinta. A terça antecipou parte do teste. Quatro pesquisas feitas depois da urna já estão publicadas com registro no TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, e as quatro cabem na mesma faixa.
Quatro pesquisas, uma faixa
Duas saíram nesta terça. A Nexus, contratada pelo banco BTG Pactual, ouviu 2.002 eleitores por telefone de 10 a 12 de outubro, com margem de 2 pontos, no registro BR-07997/2026 do TSE. Em votos válidos, os que descontam brancos e nulos, deu 52% ao senador Flávio Bolsonaro e 48% ao presidente Lula, segundo o jornal paranaense Gazeta do Povo, de linha de oposição, e o jornal mineiro O Tempo. A PoderData, com 3.000 entrevistas de 10 a 12 de outubro e margem de 1,8 ponto, no registro BR-01209/2026, deu 51 a 49 ao senador, diferença dentro da margem de erro.
Outras duas tinham saído entre sexta e sábado e entram agora na conta da série. A Atlas, contratada pela agência financeira de notícias Bloomberg, ouviu 5.026 pessoas pela internet de 3 a 8 de outubro, com margem de 1 ponto, no registro BR-03663/2026. Deu 52,8% a 47,2% em válidos, segundo o site financeiro Money Times. Cabe a ressalva: o campo começou antes da votação de 4 de outubro, e parte das respostas é anterior à urna. A Ipespe, com recursos próprios, ouviu 1.500 eleitores por recrutamento digital de 6 a 8 de outubro, margem de 2,6 pontos, registro BR-00933/2026. Deu 52,7% a 47,3% em válidos, segundo o SBT News. Os registros de todas estão no sistema de pesquisas do TSE, documento primário.
O que elas mudam na leitura da corrida
A estimativa central da série foi montada na segunda depois da urna, em camadas. Ela partia do resultado oficial do primeiro turno, 47,03% a 45,16% para o senador, somava a migração estimada dos eleitores do centro e o viés de subestimação da direita medido em 2022, e projetava 51 a 53 dos válidos. As duas primeiras pesquisas pós-urna, de 53 e 52, caíram no teto da faixa, como a série registrou na quinta. As quatro novas caem na mesma faixa: 51, 52, 52,7 e 52,8. Nenhum instituto, em nenhum método, mediu o senador abaixo de 51 ou acima de 53 desde a urna. A hipótese da série segue de pé, e segue sendo uma leitura, não um fato.
Dentro da faixa, há um movimento a registrar. A PoderData é o único instituto com duas medições inteiramente pós-urna: deu 53 a 47 no campo da primeira semana e 51 a 49 agora. A diferença de 2 pontos cabe quase inteira na soma das margens de erro, e duas medições não fazem tendência. Mas é a primeira vez desde a urna que uma pesquisa encosta no piso da faixa e termina em empate técnico. Se a Quaest de quarta e o Datafolha de quinta vierem em 51 ou abaixo, a corrida reabre. Se vierem em 52 ou 53, o quadro parado do precedente de 2022, descrito no texto da véspera do primeiro turno, se repete com os papéis trocados.
O resto do quadro não mudou. O Datafolha da semana passada mediu 94% de eleitores totalmente decididos. Não há debate confirmado pelos dois candidatos. A decisão segue se deslocando para mobilização e comparecimento, numa eleição em que a abstenção do primeiro turno foi de 21,1%.
Os interesses por trás dos números
Vale olhar quem paga a medição. Das quatro pesquisas, uma foi contratada por um banco, a Nexus pelo BTG Pactual, e uma por uma agência financeira de notícias, a Atlas pela Bloomberg. A informação eleitoral virou insumo do capital: quem administra ativos paga para saber o resultado antes do voto, porque o preço se move antes da urna. Foi o que a semana passada mostrou, com a bolsa em recorde e o dólar abaixo de 5 reais sob a expectativa de vitória do senador, como a série registrou ontem. O banco americano Goldman Sachs já cobra plano fiscal de qualquer vencedor. O trabalho segue ausente da disputa: nenhuma campanha apresentou proposta nova de renda ou emprego desde a urna. O Estado segue como objeto da conta fiscal cobrada, não como agente dela.
A pressão externa não se moveu nesta terça. Washington não fez declaração pública sobre o segundo turno desde a urna. A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros segue em vigor desde julho, e a negociação comercial espera o dia 25. É o padrão que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas. O dado externo da semana é indireto: a inflação americana de setembro sai na quarta e recalibra o juro global. Esse juro atravessa o câmbio e chega ao preço dos ativos brasileiros que já precificam o resultado.
O que observar até 25 de outubro
Quarta, 14. A Quaest divulga sua primeira pesquisa do segundo turno, registro BR-08729/2026, campo de 10 a 13 de outubro, 2.154 entrevistados. No mesmo dia sai a inflação americana de setembro, às 9h30 de Brasília. Quinta, 15. O Datafolha, registro BR-00466/2026, campo de 13 a 15, 2.520 entrevistados. À noite, o debate de um grupo de 11 veículos, ainda sem confirmação dos candidatos. Sexta, 16. A MDA, o instituto contratado pela CNT, a confederação do transporte, com 2.002 entrevistas presenciais. Domingo, 18. O debate da Band, às 20h. Sexta, 23. O debate da Globo, o último. Domingo, 25. A votação.
Fontes
TSE, sistema de registro de pesquisas (documento primário) · Nexus, o estudo divulgado pelo instituto · O Tempo (a pesquisa Nexus) · Gazeta do Povo (a PoderData e os registros) · Money Times (a pesquisa Atlas) · SBT News (os válidos da Ipespe) · Ipespe, o relatório do instituto (documento do próprio levantamento) · GBM, em espanhol (a corrida vista da América hispânica)
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