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Energia · Análise

Clima: setembro é o 2º mais quente e o oceano bate recorde

O boletim mensal do Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, fechou setembro 1,63 °C acima da era pré-industrial, o segundo setembro mais quente já medido e o segundo mês seguido acima de 1,5 °C. A superfície do oceano teve o setembro mais quente da série, e a faixa central do Pacífico bateu o maior valor mensal absoluto já registrado. O CO2 de setembro em Mauna Loa marcou 426,07 partes por milhão.

Por COMPASSO12 de outubro de 2026atualizado em 13 de outubro às 2h557 min de leituraTabuleiro: Energia

Leituras

  1. Setembro foi o segundo mais quente já medido, 1,63 °C acima da era pré-industrial, e o segundo mês seguido acima de 1,5 °C, numa sequência que o Copernicus espera durar até 2027.
  2. A superfície do oceano entre 60°S e 60°N marcou 21,05 °C, o setembro mais quente da série, com a faixa central do Pacífico no maior valor absoluto mensal já registrado.
  3. O CO2 de setembro em Mauna Loa, de 426,07 partes por milhão, ficou 1,7 acima do mesmo mês de 2025: a concentração segue subindo enquanto o El Niño amplifica a temperatura do ano.

Atualização, 02h55. Saiu o dado semanal que a seção "O que observar" esperava para segunda. A tabela semanal de temperatura do mar da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, registrou 30,0 °C na faixa Niño 3.4 na semana centrada em 7 de outubro. A faixa é a região central do Pacífico equatorial que define o El Niño. É o maior valor de qualquer semana da série, iniciada em 1981, e o primeiro registro em 30 °C. A anomalia subiu de 3,2 °C, valor que a série citou na semana passada, para 3,3 °C acima do normal de 1991 a 2020. Os números estão na série semanal das regiões Niño da NOAA, documento primário.

Atualização, 02h55. O dado mantém a leitura acumulada do texto e eleva o grau dela. O aquecimento que o boletim de setembro confirmou nas médias mensais seguiu avançando na primeira semana de outubro, agora em nível sem precedente na medição semanal. A atualização ilustrada do centro de previsão climática da NOAA, a que usa a base de cálculo da leitura de 2,3 °C citada no texto, não tinha sido renovada até a madrugada desta terça.

Este é o texto da série Crise Climática, que acompanha os avanços da crise ambiental e o que dizem os cientistas, numa leitura acumulada do processo. O texto de quinta registrou a probabilidade de 83% de um El Niño histórico e avisou que faltavam dois documentos para fechar o quadro de setembro: o boletim mensal do Copernicus e o CO2 de Mauna Loa. Os dois saíram. É deles que trata este texto.

O que os dados novos medem

O boletim do Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, saiu entre quinta e esta segunda. Ele traz a média global de setembro. O ar na superfície ficou em 16,27 °C, 0,82 °C acima da média de 1991 a 2020. A distância para a era pré-industrial, o período de 1850 a 1900 usado como base, foi de 1,63 °C. Foi o segundo setembro mais quente da série ERA5, que começa em 1940: ficou 0,11 °C abaixo do recorde de setembro de 2023. E foi o segundo mês seguido acima de 1,5 °C, a referência do Acordo de Paris. Agosto tinha empatado com julho de 2023 como o mês mais quente já medido, com 1,65 °C, como a série registrou na quinta. Os números estão no comunicado oficial do programa.

O oceano bateu recorde. A temperatura média da superfície do mar entre 60°S e 60°N, a faixa que exclui as regiões polares, ficou em 21,05 °C em setembro. É o maior valor já medido para o mês, acima dos 20,92 °C de setembro de 2023. Na faixa Niño 3.4, a região central do Pacífico equatorial que define o El Niño, a média absoluta de setembro foi de 29,70 °C. É a mais alta de qualquer mês da série. Em anomalia, a leitura semanal da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, marcava 2,3 °C acima do normal na atualização de 5 de outubro. A faixa Niño 3 estava a 3,3 °C. E a Niño 1+2, encostada na costa do Peru, a 4,5 °C. A leitura de 3,2 °C que a série citou na semana passada vem de outra base de cálculo, com período de referência diferente. As duas apontam a mesma direção. O documento semanal diz que o El Niño segue se fortalecendo, com mais de 90% de chance de um evento muito forte.

O segundo documento é o CO2. A média de setembro em Mauna Loa, no Havaí, ficou em 426,07 partes por milhão. O valor está 1,70 acima do mesmo mês de 2025, na série do laboratório de monitoramento global da NOAA, documento primário. A média é menor que a de agosto, de 427,55, porque setembro é o fundo do ciclo sazonal. É quando a vegetação do hemisfério norte ainda absorve carbono. A comparação que mede a tendência é com o mesmo mês do ano anterior. O gelo marinho fechou setembro sem recorde. O Ártico teve a 16ª menor extensão mensal, cerca de 10% abaixo da média. E o máximo de inverno da Antártida foi o terceiro menor da era dos satélites, segundo o mesmo boletim do Copernicus.

O que dizem os cientistas

O diretor do serviço de mudança do clima do Copernicus, Carlo Buontempo, resumiu o boletim em uma frase. Em tradução do COMPASSO: "Estamos numa nova sequência de meses acima de 1,5 °C e, com um El Niño forte ainda em intensificação, é provável que ela avance por 2027". A fala está no comunicado do programa. O boletim também registra o efeito na Europa. O continente teve o terceiro setembro mais quente, e a Europa ocidental empatou com 2023 no mais quente da série. Os rios Reno, Danúbio, Vístula e Garona tiveram as menores vazões de setembro já medidas. Do lado americano, o documento semanal do centro de previsão climática da NOAA mantém o alerta de El Niño e a leitura de fortalecimento. A cobertura em espanhol do diagnóstico está no Diario de Avisos, em espanhol.

O que muda na leitura acumulada

A série vinha descrevendo o evento por dois conjuntos de dados. O primeiro são as probabilidades oficiais, que subiram de 75% para 83% no diagnóstico de 8 de outubro. O segundo são as leituras semanais do Pacífico, que marcaram quatro recordes seguidos até o início de outubro. O boletim de setembro acrescenta a confirmação de retaguarda: o calor do Pacífico já aparece na média global do mês e na média do oceano inteiro. A previsão de 22 modelos internacionais reunidos pelo centro de clima da Universidade Columbia, registrada pela série em 2 de outubro, apontava evento muito forte até fevereiro de 2027. A sequência de meses acima de 1,5 °C que o Copernicus espera é coerente com esse quadro. Nenhum dado novo contradiz a leitura acumulada. O que mudou é o grau de confirmação: o evento deixou de ser previsão de modelos e passou a aparecer nos fechamentos mensais oficiais.

Os impactos por aqui

O padrão de um El Niño forte no Brasil é conhecido: chuva acima da média no Sul, seca e calor no Norte e no Nordeste. A primeira medida oficial do efeito sobre a safra sai nesta quinta, dia 15. A Conab, a companhia pública de abastecimento, publica o primeiro levantamento da safra 2026/27 de grãos. A seca no Norte pressiona os reservatórios das hidrelétricas. Isso eleva o risco de bandeira tarifária mais cara em 2027, a cobrança extra na conta de luz. E o arco amazônico entra nos meses críticos de fogo. Setembro mostrou queda de 13,6% nas queimadas, com alta concentrada no Amazonas, como a série registrou na segunda passada. Chuva no Sul em novembro e dezembro decide o tamanho da soja; seca no Norte decide o preço da energia.

O que observar

  • Quinta, 15 de outubro. Primeiro levantamento da safra 2026/27 da Conab.
  • Toda segunda. Boletim semanal do Niño 3.4 da NOAA, com a anomalia da semana anterior.
  • Primeira semana de novembro. Boletim mensal de outubro do Copernicus.
  • 12 de novembro. Próximo diagnóstico mensal do El Niño da NOAA, com as probabilidades atualizadas.
  • Novembro. Conferência do clima da ONU na Turquia, precedida pela marcha que levou dezenas de milhares a Bruxelas neste domingo.

Fontes

Copernicus, boletim de setembro (documento de referência do mês) · NOAA, atualização semanal do El Niño de 5 de outubro (documento primário) · NOAA, série de CO2 de Mauna Loa (documento primário) · Bernama, a agência estatal da Malásia (a repercussão do boletim) · Diario de Avisos, em espanhol (o fortalecimento medido pela NOAA)

Os outros textos do dia: A semana que começa · Leitura cruzada · Eleição 2026

Os sinais do clima

  • Evento histórico, acima de todos desde 195083%
  • Qualquer outro desfecho17%

NOAA, diagnóstico de 8 de outubro para o trimestre outubro-dezembro; próxima atualização em 12 de novembro. Os sinais desta segunda: Niño 3.4 a 2,3 °C acima do normal na leitura semanal de 5 de outubro e a 2,1 °C na média mensal de setembro (NOAA); setembro global: 2º mais quente já medido, 1,63 °C acima da era pré-industrial (Copernicus); oceano 60S-60N: 21,05 °C, o setembro mais quente da série (Copernicus); CO2 em Mauna Loa a 426,07 ppm em setembro (NOAA); Ártico: 16ª menor extensão de setembro; máximo antártico: 3º menor (Copernicus).

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